25 de abril de 2008

Barragem

Chegou acolitado pelos seus inúmeros lugar-tenentes. Apeou-se, firmou o olhar e observou o Monte de Girabolhos, o Mondego lá ao fundo e a Póvoa da Rainha na linha do horizonte. Olhou uma vez mais para um lado e para o outro e, peremptoriamente, disse:
- O paredão será mesmo aqui, entre este ponto e aquele ali! A cota máxima será por além! Avancem com a construção! Ah, não se esqueçam de meter a água! Vamos embora. Está feito!

E está mesmo!

24 de abril de 2008

O fotógrafo estava lá

Ia a meio a cerimónia de lançamento do concurso público da construção da Barragem de Girabolhos Póvoa da Rainha Abrunhosa do Mato quando sucedeu o insólito: irrompeu pela sala o assim denominado "vereador de Viseu" munido de uma câmara fotográfica.

Mas então onde é que está o insólito?
É que a máquina não era para fotografar, mas para ser fotografado!

21 de abril de 2008

IC12 e amnésia selectiva

A amnésia selectiva é uma faculdade muito curiosa. Permite esquecer completamente determinados factos e lembrar outros. Vejamos, por exemplo, o caso do IC 12:
Aqueles que são dotados de amnésia selectiva esqueceram que Aníbal Cavaco Silva, quando saiu do governo em 1995, deixou a obra com o concurso a decorrer; esqueceram que tinha outro traçado (já teve vários) e que não era portajada; esqueceram que esse concurso foi anulado pelo governo de António Guterres; esqueceram que o Partido Socialista era, então, abertamente contra a chamada, “política do betão”; esqueceram que a substituíram, na altura, pela política do “as pessoas estão primeiro” (que tão espectaculares resultados deu).
É por isso que a amnésia selectiva lhes é importante: esquecem os factos inconvenientes. Esquecem que o IC12 já podia estar construído desde 1997 e que só não o está porque o Partido Socialista anulou o concurso.
Ora, como esquecem, até podem lançar o concurso agora fazendo de conta que é a primeira vez; fazendo de conta que são os “salvadores da pátria”, quando são, afinal, os primeiros responsáveis pelo atraso de 11 anos.
Pela minha parte, embora não tenha esquecido estas coisas, fico satisfeito com o anúncio da abertura do concurso para a concessão. Vale mais tarde que nunca!
Percebo isto tudo e fico satisfeito.
Só não percebo porque é que, estando lá tantos fotógrafos, o jornal Zurara teve de ilustrar a cerimónia da abertura do concurso do IC12, em Mortágua, com uma foto tirada na Martifer em Oliveira de Frades…
Deve haver alguma razão, ai isso deve, mas escapa-se-me.

20 de abril de 2008

15 de abril de 2008

Destruição

Depois de, há umas semanas, ter sido destruída uma bela e típica garagem...

... chegou agora a vez da sólida moradia com arquitectura de fino traço que ladeia a ex-futura (ou futura-ex) "Travessa do Hospital Velho", igualmente em processo de destruição, mesmo em frente do Lar da Misericórdia.

(entretanto, continua a processar-se a destruição inexorável e meticulosa da Rua Azurara da Beira)

13 de abril de 2008

7 de abril de 2008

Serviço público

(de alfabetização)

Em democracia não são exigidas especiais competências aos políticos. Para ascender a essa condição apenas basta aos interessados que agradem aos eleitores. Que sejam simpáticos, por exemplo. Ou, então, que lhes prometam a resolução imediata de todos os seus problemas e JÁ. Ou, de uma forma mais geral, que digam às pessoas aquilo que elas querem ouvir, independentemente da necessária (im)possibilidade de concretização. (e digo isto com enorme desencanto)
Isto é, não são exigidas especiais qualificações a um político, seja ele primeiro-ministro, presidente de câmara ou vereador. É por isso que não existem, sequer, cursos que acreditem políticos. Nem mesmo neste nosso Portugal, onde têm tido muita publicidade visibilidade as “Novas Oportunidades” com o seu sistema de RVCC (Reconhecimento, Validação e Certificação de Competências).
Assim sendo, as competências que um homem leva para o desempenho de um cargo político para o qual foi eleito pelo povo, são exactamente aquelas que já detinha no instante imediatamente anterior ao da eleição. Nenhuma transformação acontece no homem. Continua a ser o mesmo homem, uno e indivisível.
Desta forma, chamar incompetente a um político é dizer que o homem é incompetente. Não se pode distinguir um do outro.
Coisa diferente é acusar o político de errar. E, efectivamente, os políticos podem errar e, quando erram, podem – devem – ser acusados disso mesmo. Os políticos podem errar quando desempenham a sua função, aquela para a qual foram eleitos: a de decidir. De facto, os políticos não “fazem”. Não projectam, não calcetam e também não levantam e põem lancis para alargar passeios. Não. Os políticos, apoiados em estudos elaborados por técnicos – aos quais, a esses sim, são exigidas competências – tendo em conta o que julgam ser o interesse público, tomam decisões, as quais podem levar à elaboração de projectos e, finalmente, à execução de medidas. É claro que ao longo deste processo podem acontecer diversos percalços: os dados iniciais podem ser incorrectos, o interesse público pode ser mal avaliado, os projectos podem conter erros, os executantes podem não ser dos melhores... enfim…
Dir-se-á que, em última análise, fica a responsabilidade política. Talvez sim, talvez exista essa coisa. Mas responsabilidade política é uma coisa e incompetência é outra bem diferente.

Já agora, para concluir:
Diego Armando Maradona não era competente. Era um super craque da bola! Brigitte Bardot não era competente. Era muito boa! Pablo Picasso não era competente. Era um artista! E John Lennon não era competente. Também era um artista!

31 de março de 2008

Mandar para o descanso

Assustei-me!
Estive a ler um comunicado do CDS e fiquei assustado com aquela linguagem agressiva. Uma linguagem de onde transparece uma animosidade à flor da pele e uma agressividade reprimida, quase incontida. Não sei o que terá acontecido, mas parece-me que haverá ali qualquer coisa complicada. Não sei o quê, mas que há-de haver alguma coisa, lá isso há.
De qualquer forma, haja o que houver, de acordo com os meus padrões, nunca se justifica a utilização daquela terminologia de “falta de vergonha”, de “grotesco”, de “mandar para o descanso” (só faltou o “eterno”) e de outros adjectivos semelhantes que proliferam ao longo da prosa. Eu nunca o faço. Nunca mesmo! A não ser quando me refiro aos filhos-da-puta dos anónimos que aqui me vêm caluniar. Só que, nesse caso, não me estou a referir a ninguém em concreto, não estou a insultar quem quer que seja, antes a desabafar de um grupelho de cobardolas indeterminados. De resto, nem me passaria pela cabeça vituperar uma pessoa conhecida, qualquer que fosse, que um dia hei-de encontrar e cumprimentar algures em algum lugar. E até vou mais longe: se me desse para chamar incompetente ou “sem vergonha” a um tipo qualquer, então seria coerente com essa atitude e nunca mais lhe olharia para a cara. Abomino “o pântano” e a “paz podre”!
É que "incompetente" é algo muito diferente, só para dar um exemplo, de "palerma". "Palerma" é um conceito subjectivo. Fulano pode achar que cicrano é palerma por tomar determinadas atitudes que outrem, pelo contrário, considera correctas. É subjectivo. O mesmo não se passa com "incompetente", uma vez que se trata de um conceito objectivo. No contexto presente, a competência, ou a sua negação, é atestada pelas escolas ou pelas ordens profissionais e equivalentes, não cabendo ao vulgar cidadão aventurar-se a conjecturar sobre a eventual (in)competência de alguém.

Agora, num registo exclusivamente pessoal, vou referir-me ao caso concreto das obras da Rua Azurara da Beira:
Começo por lembrar que abordei a questão num artigo que aqui publiquei em 3/7/2006. O texto teve algumas repercussões e, já em 2007, teve desenvolvimentos:
  • Surgiu um abaixo-assinado de todos os comerciantes daquela rua, com excepção de um, solicitando que a mesma passasse a ter apenas um sentido;
  • Os serviços técnicos deram parecer positivo e propuseram o sentido poente-nascente;
  • A Câmara Municipal, por unanimidade, aprovou a alteração;
  • Os serviços técnicos elaboraram o plano;
  • As obras desenvolveram-se por fases, em articulação com os comerciantes, no sentido de minimizar os inconvenientes, uma vez que a alternativa seria demorar menos tempo, mas manter a rua sem trânsito – logo com menos comércio – durante todo esse tempo;
  • Como é normal em qualquer obra, aquando “no terreno”, surgiram dados novos que obrigaram a correcções no sentido da melhoria da mesma.
Merece-me um comentário, também, a insinuação de que não terá havido articulação com a empresa Beiragás. É que foi exactamente ao contrário. De facto, o planeamento da empresa apontava para instalação das condutas no próximo mês de Setembro e foi sob intensa pressão que a Beiragás acedeu a antecipar a intervenção, fazendo-a coincidir, excepto no primeiro troço da rua, com a do Município.

Finalmente, vou aqui deixar um subsídio para a compreensão da problemática do relacionamento com empresas como a EDP, PT, Beiragás, Netcabo. É fácil: é só clicar na imagem… e ler, claro está. É do "Público" de Domingo passado.

30 de março de 2008

Hoje fiz uma concessão

Hotel Montebelo - 29/03/2008Apesar das seis horas consecutivas, não desgostei do périplo pelos problemas que mais afectam o nosso distrito. E até aprendi coisas interessantes. Por exemplo, enquanto o ministro Mário Lino "Jamé" – Sócrates dixit – fumava o seu cachimbo e eu uma cigarrada, lá me foi falando das novas tecnologias que o concessionário irá usar nas portagens dos novos troços do IC12, com reconhecimento da matrícula por via óptica ou electromagnética, e da possibilidade de aquisição de pacotes pré-pagos de portagens (como os telemóveis), em alternativa ao clássico pós-pagamento por débito bancário. Achei muito avançado.

19 de março de 2008

O drama pungente da célula (com)fundida


Era uma vez uma simples célula fotoeléctrica como tantas células que a EDP instala nas cabines baixas dos postos de transformação, mesmo a jeito das pedradas e das pauladas que os vândalos que nos assolam tanto gozo têm em lhes desferir. Uma vez vandalizada, a célula fica incapaz de accionar o contactor que estabelece a ligação da rede pública de iluminação e… a rua fica às escuras. É o que nos tem acontecido com alguma frequência nos últimos tempos. “Aqui não há iluminação, ali também não, além já há, e mais além também não…”, seguindo, normalmente, o percurso do “gang”.
Não era este, todavia, o caso da "nossa" célula. Ela não tinha sido vandalizada. Estava intacta e operacional. E contudo… a rua estava ficava às escuras! “Que problema terrível!”
Ensaiado o sistema, tudo estava perfeito. Luz acesa. Mas veio a noite e… luz apagada! “Que drama!”
Eis senão quando, EUREKA! “A célula anda a ser enganada! Julga que é sempre dia porque é iluminada por aquele candeeiro que está noutro circuito. Mude-se de posição!”

E foi assim que a nossa célula passou a não ser confundida passando, toda feliz, a fazer luz em muitas lampadazinhas.

15 de março de 2008

Parceria


Ora aqui está um exemplo de futuro hipotecado, de trespasse do concelho, de insustentabilidade financeira e de impossibilidade dos vindouros decidirem. E, além do mais, tudo absolutamente, completamente, totalmente e irremediavelmente ILEGAL !
Mas não é cá...
Infelizmente.

14 de março de 2008

Árvores

Tratadas com tal carinho e plantadas nos locais certos, têm tudo para crescer e... servir.

Centro de Saúde - Mangualde

7 de março de 2008

Ler faz bem

Semana da leitura na EB 1 N.º 2 de Mangualde (ex-colégio)


(Lendas de Mouras, de Luísa Ducla Soares, na Biblioteca)

4 de março de 2008

O estranho caso das empresas fugidias

As tais que teimam em não se instalar em Mangualde!

Curso de Português


Isto também era bom para muitos bloggers e comentadores de blogs. Aparece aqui cada calinada...
Bom, pode ser que haja turmas em e-learning e à distância.